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No 7 de setembro, ouça músicas, e artistas, que são motivo de orgulho para o Brasil

Se existe algo que dá, ou deveria dar, orgulho a todo brasileiro é a nossa música, afinal é difícil achar outro país com tamanha diversidade de gêneros, estilo e com músicos e cantores de tanto nível. O 7 de setembro, data em que tradicionalmente costuma se pensar no Brasil, e também sua história e os desafios futuros e os caminhos para vencê-los, parece uma hora excelente para relembrarmos, um pouco, dessa trajetória.

Esse especial tem três dezenas de canções que mostram algumas das razões que fazem nossa música ser ouvida e admirada por tantas pessoas ao redor do mundo. Ela não é uma lista de “melhores” e muito menos definitiva, mas traz alguns artistas e/ou canções que ajudaram a nos dar algum senso de comunidade e identidade cultural, até porque ela tem o poder de unir pessoas absolutamente distintas entre si como poucas coisas no planeta. Algo que sempre precisamos, e iremos precisar até o fim dos tempos.

“Carinhoso” – Pixinguinha

O Brasil tem vários “hinos não oficiais”, essas músicas que estão tão encrustadas nas nossas cabeças há tanto tempo que já se tornaram parte de nossa identidade como nação. “Carinhoso”, a mais emblemática criação de Pixinguinha (1897 – 1973), nasceu como uma canção instrumental em 1916, e ganhou sua primeira gravação 12 anos depois. A letra de João de Barro foi criada posteriormente e gravada, com grande sucesso, por Orlando Silva, em 1937. Depois disso ela ganhou vida própria.



“Asa Branca” – Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga cantou o nordeste de forma única e marcante, não só levando sua música para toda aquela região do país, mas também apresentando-a para o chamado “Norte-Sul”. Com a indumentária típica e seus forrós e baiões, ele se tornou um ícone e o status de lenda vida já o acompanhava há décadas antes de sua morte, em 1989. “Asa Branca”, composta com Humberto Teixeira, talvez não seja a melhor de suas músicas, até porque ele gravou e compôs centenas delas, mas nenhuma é tão emblemática e parte das nossas vidas como ela.



“Aquarela Do Brasil” – Ary Barroso

Outro “hino ufanista”, “Aquarela…” foi composta por Ary Barroso, em 1939, e se tornou um de nossos símbolos nacionais e também uma referência do país no exterior, onde é conhecida simplesmente como “Brasil”. A música já foi cantada por um sem-número de artistas – de Frank Sinatra a Tim Maia – e é uma das músicas brasileiras mais regravadas de todos os tempos.



“Trem Das Onze” – Adoniran Barbosa (na voz dos Demônios da Garoa)

Há uma velha piada que diz que São Paulo é o túmulo do samba. Um exagero, claro. Geralmente esse dito costuma ser rebatido com “mas a cidade nos legou Adoniran Barbosa, que já mais do que compensa qualquer “falha” nessa questão.

Adoniran trouxe o linguajar típico dos imigrantes italianos para a música do Brasil e era dotado de um senso lírico único. Quem deu a voz definitiva para as suas canções foram os Demônios da Garoa. Dentre essas gravações definitivas, “Trem das Onze” se sobressai , por sua onipresença e poder de atravessar gerações.



“Conversa de Botequim” – Noel Rosa (na voz de Aracy de Almeida)

Noel não teve sequer tempo de ser o pioneiro do “clube dos 27”, já que morreu com apenas 26 anos, em 1937. Apesar do pouco tempo de vida ele deixou uma obra de grande fôlego, certamente maior que a de quase todos músicos que partiram muito cedo: 259 canções que mostram como era o Brasil das ruas de sua época. O sambas de Rosa são ótimos de serem ouvidos na voz de seu criador, mesmo que a qualidade das gravações, obviamente, estejam longe do padrão a que nos acostumamos, mas ficam ainda melhores nas interpretações de Aracy de Almeida, uma das maiores vozes da nossa história, ainda que muitos só se lembrem dela como jurada de calouros na televisão, nos anos 80, o que, obviamente, é uma pena.



“O Que É Que A Baiana Tem?” – Dorival Caymmi

Com seu vozeirão de barítono, Caymmi nos mostrou os encantos secretos da Bahia, uma terra que ganhou uma enorme mítica depois de suas composições, que, diga-se, nem foram muitas, para uma carreira tão longa. Não que isso importe muito quando se escreve um punhado de músicas que, de tão cantadas, parecem que sempre existiram.



“Boas Festas” – Assis Valente

É curioso que não tenhamos um grande cancioneiro natalino como o norte-americano, ainda que canções como “Noite Feliz” e “Bate O Sino” soem quase como criações locais graças às suas letras em português tão bem encaixadas. Mas existem exceções e “Boas Festas” é uma delas. Assis Valente tem uma história trágica, e inacreditável, para alguém que fez tanto pelo país – ele cometeu suicídio, no ano de 1958, em um ato de desespero por encontrar-se endividado. Antes, ele já havia tentado se matar pulando do Corcovado, mas teve a queda amortecida. São detalhes que ajudam a entender a melancolia dos versos – Já faz tempo que eu pedi / Mas o meu Papai Noel não vem / Com certeza já morreu / Ou então felicidade / É brinquedo que não tem”. Além de ter criado esse clássico natalino, Valente também foi o autor de outro clássico festivo, o clássico das festas juninas “Cai Cai Balão”.



“Chega De Saudade” – João Gilberto

Algumas revoluções são extremamente curtas, e esse é o grande exemplo. João mudou a música brasileira, e não só, em apenas dois minutos. É o tempo que a gravação original de “Chega de Saudade” dura, apresentando o país à melodia de Tom Jobim e à letra de Vinícius de Moraes, mas também a um novo jeito de se cantar, baixinho, e claro, o seu estilo ao violão, único, de uma complexidade assustadora, seja no ritmo, quanto nas harmonias complicadíssimas. No Brasil, o efeito dessa faixa, que já havia sido gravada por Elizeth Cardoso é comparável ao efeito que a chegada de Elvis e depois os Beatles tiveram nos EUA e Inglaterra.



“Garota de Ipanema” – Tom Jobim

Com essa canção, a Bossa-Nova ganhou o mundo depois que foi garavda por Stan Getz, com as participações de João Gilberto e Astrud Gilberto – a ponto de, durante uma época, era comum perguntar para artistas estrangeiros o que eles conheciam de música brasileira, “além de Garota de Ipanema”.

A versão abaixo é uma verdadeira relíquia. Ela foi gravada em 1962 durante a temporada que Jobim, Vinícius e João fizeram no chamado “Beco das Garrafas” e foi a primeira vez que ela foi mostrada ao público (a gravação original foi a de Pery Ribeiro, em 1963, a de Getz saiu no ano seguinte).



“Mas Que Nada” – Jorge Ben (Jor)

É possível contar a história da música brasileira através do violão, dada a quantidade de grandes inovadores do instrumento que o país já fez nascer. O de Ben, ou Ben Jor, como ele se chama agora, é um dos principais. Menos técnico, do ponto de vista harmônico, que o de João Gilberto, ele, em compensação, é unico em seu ritmo, o carioca nunca teve problema em usar palheta, por exemplo. “Mas Que Nada”, que se espalhou ao redor do globo nos anos seguintes, foi o início desta trajetória mágica. Ben abandonou o violão em meados dos anos 70, para tristeza de seus fãs mais antigos, mas continuou tocando com um ritmo pra lá de especial – é ele quem dita a marcação para sua numerosa banda.



“Tropicália” – Caetano Veloso

Como grande mentor intelectual do Tropicalismo, Caetano enxergava no movimento a próxima etapa da “linha evolutiva da música popular brasileira”. A influência da Bossa Nova era nítida, mas havia também um aceno à velha guarda, ao rock de vanguarda do primeiro mundo e também à Jovem-Guarda, tão mal-vista pelas elites da época. Ao lado dele estavam um enorme grupo de talentos, entre eles, Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes. O álbum “Tropicália”, com a presença destes e de outros artistas, é fundamental para se entender todas essas ideias, mas essa canção, que abre o disco homônimo de Caetano, que saiu um pouco antes, mas também em 1968, já trazia as linhas gerais do movimento que mudou a história da MPB.



“Aquele Abraço” – Gilberto Gil
Artista completo, Gil é grande cantor, letrista, compositor e músico. O baiano também tem o dom incrível de misturar as mais diversas culturas musicais e sair com um som que atinge ouvintes de todos os tipos. O samba “Aquele Abraço”, escrito pouco antes dele rumar para o exílio, é uma das músicas símbolo não só de sua obra, mas um retrato perfeito daquele momento bastante complicado de nossa história.



“Travessia” – Milton Nascimento

Na década de 70, Milton levou Minas Gerais para o Brail, e, posteriormente, para o mundo. Dono de uma voz abençoada e criador de uma música simultaneamente regional e global, ele se tornou uma das figuras mais respeitadas da MPB. Generoso, ele também a usou de sua posição para dar espaço para toda uma cena de músicos, letristas, cantores e compositores do estado – um grupo que seria conhecido como o “Clube Da Esquina”, que também batizou o seu mais importante álbum, gravado em parceria com Lô Borges. Uma trajetória ímpar que começou aqui, em 1967, quando “Travessia” o apresentou ao país no Segundo Festival Internacional da Canção. A música ficou em segundo lugar (atrás de “Margarida”, de Guarabyra) mas Milton ganhou o prêmio de melhor intérprete,



“Construção” – Chico Buarque

“A Banda” fez de Chico um ídolo nacional em 1966. Ano a ano ele foi aprimorando o seu talento de letrista e compositor, e também atraindo mais e mais a atenção da censura que culminou em seu exílio voluntário na Itália, em 1969. O cantor voltou ao Brasil com a caneta ainda mais afiada e seu álbum de 1971 comprovava isso. “Construção”, o disco é considerado o seu melhor trabalho e a sua faixa título umas das mais fortes composições de toda a MPB, com sua letra inovadora, com os versos terminados em proparoxítonas e as mesmas palavras sendo brilhantemente realocadas ganhando novos sentidos. O arranjo, do maestro tropicalista Rogério Duprat, trouxe o toque de modernidade necessário e mostrou que Chico podia ser sim um compositor mais tradicionalista, mas que também estava disposto a também olhar pra frente.



“Ouro De Tolo” – Raul Seixas

Marcelo Nova, que muito ajudou Raul em seu final de vida, sempre conta a epifania que sentiu ao ouvir “Ouro de Tolo” pela primeira vez. Uma canção que soava quase como um lamento de uma pessoa dizendo que, apesar de ter conseguido tudo que sempre sonhou no final, via que de nada servia tudo aquilo. O baiano, tido como nosso melhor roqueiro, nunca se limitou ao rock puro. Quem ouvir seus discos também encontrará soul, country, baladas, flertes com o brega e fusões com a música de raiz nordestina. Tudo muito sofisticado, mas também de fácil assimilação. Era esse talento que fazia com que ele fosse ouvido, ainda que de formas diferentes, tanto pelo zelador quanto pelo dono da cobertura do prédio. Sua morte, em 1989, aos 44 anos, é daquelas que deixou uma vazio enorme na cultura brasileira difícil de ser superado.



“Preta Pretinha” – Novos Baianos

Os Novos Baianos foram a cara de um Brasil possível no início dos anos 70. Vivendo em comunidade, sem maiores preocupações além de, como disse Pepeu Gomes anos depois, fazer música e jogar bola, o grupo deixou um legado enorme. Tendo em Moraes Moreira seu principal compositor, ao lado do letrista Galvão, os Baianos começam no rock de pegada tropicalista mas vão abrir muitas cabeças mesmo a partir do dia em que João Gilberto apareceu, de surpresa logicamente, para uma visita. Foi o mago da bossa-nova que lhes sugeriu um olhar mais profundo na nossa música. Logo, o rock deles passava a dialogar com o chorinho e o samba e renderia “Acabou Chorare”, álbum que já foi eleito o melhor da história do Brasil, e que teve em “Preta Pretinha” seu maior e mais inesquecível sucesso.




“Detalhes” – Roberto Carlos

Roberto Carlos é daquelas pessoas que parecem carregar a alma do brasileiro e foi assim desde a Jovem-Guarda, quando milhões de jovens se renderam a seus encantos. Inteligente, o cantor logo notou que , assim como ele, sua música também precisava amadurecer e assim se fez. Ao abraçar o romantismo, com muitas doses de soul, rock e outros estilos, Roberto abriu uma fase que rendeu um punhado de bons discos e dezenas de canções antológicas – quase sempre falando do amor, “em todas as suas formas”, como já declarou. “Detalhes” é a joia dessa coroa, uma das grandes canções sobre o amargor do fim de um relacionamento desde sempre.



“Águas de Março” – Elis Regina (com Tom Jobim)

Elza Soares, Gal Costa, Maysa, Marisa Monte, Carmen Miranda… é incrível como em qualquer época que se olhe a quantidade de intérpretes femininas que o Brasil já teve, e tem. Elis foi a melhor delas? Obviamente que não se pode dizer com objetividade, até porque tudo é questão de gosto. Mas não se nega que ela esteve entre as maiores das maiores com sua técnica, afinação impecável e desenvoltura. Elis podia cantar qualquer música, em qualquer estilo, e lhe dar a sua personalidade, tornando-a quase que uma coautora da canção. O alento que se tem quando lembramos de sua morte tão prematura, aos 36 anos, em 1982, é que, mesmo em tão pouco tempo, ela deixou uma obra nada modesta, são mais de duas dezenas de LPs. Desses, o disco que gravou com Tom Jobim segue, merecidamente, como o mais cultuado. Algo que essa versão definitiva de “Águas de Março”, que tanto ela quanto ele já haviam gravado, atesta.



“Azul Da Cor Do Mar” – Tim Maia

Se existe alguém que faz muita falta no Brasil do século 21, esse é Tim Maia. Basta imaginar como seria divertido tê-lo presente nas redes sociais disparando as suas hilárias barbaridades que tanto sucesso faziam quando ele abria a boca para dar entrevistas. Mas essa era só uma faceta deste brasileiro por excelência, que também adorava a black music dos EUA. É sempre bom lembrar que havia o Tim folclórico, mas também o que era um músico ímpar, de voz inigualável e dono de um carisma sem precedentes. Maia sabia ser divertido, mas nunca tratou sua música como piada, longe disso, e quando cantava uma música, fosse ou não de sua autoria, sabia dar a ela a carga emocional necessária, vide “Azul Da Cor Do Mar”, presente em seu primeiro álbum, de 1970, apenas um entre seus vários clássicos.



“Sujeito de Sorte” – Belchior

O nordeste dos anos 70 foi fonte inesgotável de talentos musicais: Alceu Valença, Zé Ramalho, Fagner, Ednardo, Amelinha, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e tantos outros deram uma cor especial à MPB quando surgiram. Mas nenhum deles parece falar tanto para esse Brasil atual quanto Belchior. Justamente um nome que foi, injustamente, um tanto negligenciado durante um bom tempo. Parece que foi preciso o seu sumiço, e a morte em 2017, para sua obra ser mais ouvida, e reverenciada. Donos de lojas de discos dizem que a procura por seus álbuns aumentou muito desde então levando a uma escalada de preços. O fato é que várias de suas músicas, especialmente as de “Alucinação”, seu primeiro disco por uma grande gravadora, de 1977, acabaram por ganhar um novo sentido nesse Brasil dos últimos dois anos, com “Ano passado eu morri, mas este ano eu não morro”, de “Sujeito de Sorte”, tendo se tornado quase um mantra desses tempos de pandemia.



“Mania de Você” – Rita Lee

Rita foi Mutante, Ovelha Negra, Madrinha do Rock feito no Brasil e muito mais. A vida dela, e também as nossas, mudou quando ela encontrou em Roberto de Carvalho o seu maior parceiro, de vida e trabalho. Quem curtia a Rita roqueira se sentiu traído com a guinada para uma música de pegada mais pop. Já os milhões de fãs que ela conquistou na virada dos anos 70 só têm a agradecer pelos momentos de prazer obtidos com seus discos deste período. A felicidade conjugal acabou refletida em sua obra, repleta de declarações de amor, mas um amor adulto, maduro, vivido por alguém que já sabia algumas coisas nessa área, muito bem representado por “Mania de Você”, uma música que transmite perfeitamente a sensação de, finalmente, encontrar o verdadeiro amor de sua vida.



“Tocando em Frente” – Almir Sater

A música caipira sempre foi uma fonte riquíssima de talentos e sucesso. Não à toa o gênero movimenta bilhões de reais hoje em dia. Desde a década de 80, Sater se esforçou para dar mais sofisticação a essa música e levá-la, também para outros públicos – ele tocou no Free Jazz Festival em uma época emq eu o evento tinha, de fato, seu grande foco no Jazz. O resultado desse trabalho é visível hoje em dia quando ele se tornou uma espécie de “reserva moral” do gênero, aquela pessoa que não deixará a “verdadeira música sertaneja” (se é que ela de fato existe) morrer. “Tocando Em Frente” se tornou uma canção-símbolo do sertanejo e foi composta com outro desses “guardiões”, o igualmente fundamental Renato Teixeira.



“Alagados” – Os Paralamas do Sucesso

Em uma época em que o rock do Brasil tinham os olhos voltados para as novidades do rock inglês e americano, os Paralamas tomaram a arriscada decisão de olhar para o interior do país, as periferias das grandes cidades e também para os sons que vinham da Jamaica. Nascia assim “Selvagem?”, o álbum que manteve o trio na linha de frente do BRock, abriu caminho para eles explodirem no mercado latino e apontou caminhos que seriam muito bem aproveitados pela “geração 90” do nosso rock. E eles fizeram tudo isso mantendo o som extremamente acessível, como essa música, escolhida para apresentar o álbum ao público e, até hoje, um momento obrigatório nos shows.



“O Tempo Não Para” – Cazuza

O Brasil dos anos 80 é tão repleto de emoções que, em em apenas alguns poucos anos, Cazuza escreveu tanto uma das canções símbolo do Brasil que, sonhava-se, iria nascer com o fim do regime militar (“Pro Dia Nascer Feliz”, grande hit do Barão Vermelho, de 1983), e, cinco anos depois, dava voz às frustrações do povo de um país tomado pela hiperinflação e falta de perspectivas. O poeta também enfrentava um drama pessoal: A AIDS, em uma época em que o diagnóstico positivo indicava não só a morte certa, como vinha acompanhada de muita desinformação e preconceito.

“O Tempo Não Para”, mesmo sendo uma música inédita, se tornou o ponto alto dos shows que o cantor fez para divulgar o álbum “Ideologia” e a canção que mais aplausos gerava, graças à sua letra explosiva e à melodia de grande impacto. A faixa nunca ganhou uma versão de estúdio, o que não chega a ser uma grande perda, já que dificilmente seria possível superar a intensidade da gravação ao vivo. Cazuza morreria em 1990.



“Índios” – Legião Urbana

Renato Russo deu voz a toda uma geração que crescia em um Brasil que se via livre do regime militar lhes dando palavras para os mais diversos momentos e estados de espírito. Seja nos momentos mais raivosos (“Que País é Esse?”, “Perfeição”), reflexivos (“Andrea Doria”, “Vento No Litoral”, “O Teatro Dos Vampiros”) , românticos (“Sete Cidades”, “O Mundo Anda Tão Complicado”), há uma música Legião para praticamente qualquer momento. “Índios” traz um dos melhores textos do compositor, morto em 1996, e é daquelas que se mantém tristemente atuais, já que a causa indígena segue precisando de mais atenção, seja do governo ou da população. A melodia também é das mais fortes da carreira da banda assim como o seu arranjo simples e muito eficiente.



“Roots Bloody Roots” – Sepultura

Vindos de Minas Gerais, o Sepultura realizou um sonho tido como quase que impossível para uma banda brasileira: alcançar, com força, o mercado exterior. E conseguiram a façanha com uma música longe do palatável: o heavy metal em uma de suas variantes mais violentas. “Roots”, de 1996, é a grande obra-prima deles, um disco que influenciou o metal, mas não só, mundial ao trazer novos elementos, incluindo os batuques do Brasil e os cantos indígenas, para uma música que, geralmente, não é das mais abertas a fusões.



“Manguetown” – Chico Science e Nação Zumbi

Science se foi cedo demais, em 1997, com apenas 30 anos, mas criou uma revolução na nossa música que, ainda hoje, é sentida. Ao fundir o maracatu e outros ritmos regionais, com sons do pop e rock globais, ele mais uma vez, atualizou o manifesto antropofágico de Oswald de Andrade. Chico só lançou dois discos, antes de morrer em um acidente de carro. A Nação Zumbi seguiu sem o seu líder e mentor, mas conseguiu manter a mesma filosofia em seus diversos álbuns lançados nas últimas duas décadas.



“Diário De Um Detento” – Racionais MC’s

O hip-hop chegou ao Brasil de forma tímida, e aos poucos – o primeiro álbum do gênero “Hip Hop Cultura de Rua”, saiu apenas em 1988, mas, logo, conquistou o seu espaço e não só como música das periferias. Não se nega que os Racionais trouxeram uma sofisticação maior por essa música e quebraram várias barreiras – incluindo a decisão de se manter independente. “Diário…” é a música mais conhecida de “Sobrevivendo No Inferno”, disco de 1998 que se tornou o grande marco do gênero no Brasil. Com mais de 30 anos de estrada, o quarteto ainda está na ativa, ainda que os discos novos sejam bastante raros.




“Deixa a Vida me Levar” – Zeca Pagodinho

Zeca já é um patrimônio nacional, com jeito malandro e despojado, e aquela sagacidade típica de quem consegue ser bem aceito em qualquer roda. O sambista de Xerém começou como compositor e chegou ao disco, já com sucesso, em 1986 – ano que costuma ser lembrado mais pelo estouro do rock brasileiro, mas que também foi tão, ou mais, marcante para o samba. Pagodinho segue por aí, deixando a vida lhe levar, nos divertindo, usando de seu sucesso para ajudar os mais necessitados e contando causos, que são um verdadeiro raio x do Brasil suburbano, em forma de música.



“Festa” – Ivete Sangalo

Ivete se tornou uma grande rainha da música feita no Brasil nas últimas décadas e “Festa” é a sua canção símbolo, e também um bom resumo dessa longa história no verso “Misturando o mundo inteiro/Vamos ver no que é que dá”, que explica a riqueza de nossa música de maneira simples e acessível.



“Hino Nacional Brasileiro”
Não se nega que, desde a sua primeira gravação, há mais de um século, o nosso Hino já foi mais do que usado e abusado. Mas, é preciso lembrar que ele também é um dos símbolos que nos unifica enquanto Nação, e que, também, tem uma melodia das mais belas, algo que se percebe em competições internacionais quando temos a chance de ouvir as músicas símbolo de outros países. A letra de Joaquim Osório Duque-Estrada já recebeu críticas pelo uso do discurso indireto, mas ela também tem o seu charme, exatamente por isso.

O que é preciso lembrar neste 7 de setembro é que o Hino Nacional Brasileiro é o símbolo de todos os brasileiros, independentemente de raça, credo, posição política ou qualquer outra ideia forte o bastante para criar divisões, de resto naturais, em uma população.

Fonte: Vagalume

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